18.5.12


" Sou bem mais feliz que triste, mas as vezes fico distante. E me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida. 
Explicação mesmo, eu sei: não há.
E me agarro no meu sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E esse mesmo coração que me guia e não quer grades nem cobranças, as vezes me deixa sem rumo, com uma interrogação bem no meio da frase:
- O que eu quero mesmo?"
Fernanda Mello

16.2.12

Eu quero mandar um Beijo...



Pra você que passou o primeiro mês de 2012 calçando dois pés direitos de cores diferentes pensando "Agora vai".
Pra você que já descobriu que a depilação a laser é fantástica, mas de definitiva não tem nada.
Pra você que sofreu ou sabe que vai sofrer na hora de aprender a dividir o cobertor.
Pra você que não tem mais paciência com piadas bobas, grosserias e cretinices.
Pra você que acha que certas pessoas não deveriam trabalhar com público.
Pra você que não sabe dividir a atenção e carinho entre dois seres, e sabe que não é o único.
Pra você que ainda gosta de brinquedos e brincadeiras mas não tem com quem brincar.
Pra você que se puder, toma café o dia inteiro.
Pra você que é viciado em livros, filmes, músicas e artes em geral.
Pra você que pensa que o trabalho deve ser quase um passatempo!
Pra você que precisou mudar de celular, agora leva uma surra a cada ligação e gosta cada vez menos de telefones.
Pra você que ficou sem algo que fazia parte da sua vida e gostava muito.
Pra você que se apaixonou pela pessoa errada... De novo!
Pra você que não gosta do calor.
Pra você que tá querendo emprego, é qualificado, mas não passa nas entrevistas.
Pra você que não conseguiu realizar seus sonhos e objetivos do último ano... Ainda!
Pra você que gosta de beijos e abraços.
Pra você que vez em sempre é incompreendido, mal interpretado e esquecido.
Pra você que não entende o que está fazendo aqui mas não sabe nem tem pra onde ir.
Pra você que não se sente parte da família.
Pra você que é irritantemente organizado.
Pra você que canta (mal) no chuveiro e fora dele.
Pra você que depois de anos sem comer bolacha recheada, compra um pacote e na primeira percebe que não gosta mais.
Pra você que ri sozinho.
Pra você que é metido a fotógrafo.
Pra você que quer escrever um livro.
Pra você que sonha fazer a diferença.
Pra você que gosta de gente. Parabéns, sério!
Pra você que não penteia o cabelo no dia-a-dia.
Pra você que tem milhões de alergias, inclusive algumas bem bizarras.
Pra você que ajuda os outros. Você merece!
Pra você que gosta de mim, e também pra quem não gosta.
Pra você que é minha razão de viver. (Se você ler isso, claro!)
Pra você que coleciona coisas - Úteis ou não.
Pra você que tem um bom tanto de cultura inútil para compartilhar com quem quiser.
Pra você que gosta muito de viajar.
Pra você que curte passatempos.
Pra você que não se prende as voltas do relógio.
Pra você que sente saudades.
Pra você que aprendeu algumas coisas até aqui, mas tem muito mais pra ver.
Pra você que me lê e se encaixa numa coisa ou outra... Bem-vindo ao clube! :)

14.10.11

Eu vi o céu de Van Gogh



         Foi através de uma enorme janela de vidro, que vi o dia encontrar a noite, dar um beijo carinhoso de despedida e seguir caminho...
         Aquele sol alaranjado que ocupava o céu e me fazia esconder os olhos diante tanta beleza e luminosidade, foi sumindo por entre os montes, e transformando o azul em lilás, roxo, cor-de-rosa e vermelho, distraindo o público enquanto em palco entrava a bela lua, cintilante, grande e cheia. Magnífica lua, que ao encontrar seu lugar no céu, fechou as cortinas de um veludo em tons de azul tão majestosas que pareciam pertencer à obra de Vincent. E as estrelas vinham chegando aos poucos, brincando de criar desenhos e forçando minha memória a recordar os nomes de cada constelação e asterismo; Enquanto me pegava entortando a cabeça a cada curva para não perder de vista aquela mistura de pontilhismo e pequenas nuvens pinceladas em círculos, que me faziam delirar na perfeição do caos organizado de luzes no ar e ideias dançantes me embalando a mente. Sentia-me naquele momento, como uma camponesa da pequena Saint-Rémy-de-Provence, na impressionista Noite Estrelada de Van Gogh. Eram tantos pensamentos, que os redemoinhos do céu me levaram em uma onda de melancolia anil. Tudo ficou tão triste que chegava a ser alegre. A satisfação de poder estar apreciando um cenário emocionante, trazia paz, mas era ao mesmo tempo desconcertante que ali, apenas eu estivesse aproveitando o momento dessa forma. Cada detalhe que eu observava, era perfeito. E me convenci logo, de que nada mais importava. Feliz e infelizmente, cheguei ao meu destino no tempo certo. Tempo de mais na ânsia de abraços, sorrisos e carinhos; e tempo de menos para me dedicar à uma "pintura" tão complexa...
          Deitada, só conseguia pensar que, as pessoas não param mais para ver uma obra de arte, poucos ainda param para assistir à um filme ou espetáculo de teatro. Ópera e música clássica viraram trilha contra insônia. Livros viraram resumos. O amor virou lenda; Hoje só há pausa pro sexo. Amizade agora, é para desocupados. E família tão pouco conta nos novos sonhos de consumo... O povo terrestre, já não para mais para olhar para cima, para contar estrelas, fazer pedidos à cometas ou juras de amor sob o luar. A propósito. O povo já nem para pra nada! Mas eu ainda valorizo e vivo os (ditos idos) Tempos dos Sonhos, da Arte e do Dolce far Niente. E tenho a honra de compartilhar que naquela noite, em data não muito distante, comtemplei por algumas horas o céu.  Ainda torço para não ter sido a única, e sim, apenas mais uma a aplaudir o espetáculo e poder comentar: "Eu vi... E estava lindo!"

10.9.11

Perca-se... Ou não se encontrará!



Eu sempre gostei de bússolas... Mesmo antes de estudar sobre elas! Sabia como fazer, como usar... E sempre me "prometi" nunca sair de casa sem uma. Artefato fundamental, eu dizia! 
Nada disso mudou...
Uma bússola não é apenas um apetrecho de localização; Sempre teve um significado diferente pra mim. "Criei" um conceito de que aquela seta guiada por imã, era magnetizada apenas pelo que se queria... - Ideia difundida aos quatro ventos, já que há pouco tempo foi vista num filme de piratas. - E eu explicava: Se o sul é seu ponto de chegada, ela o apontará o caminho... Se quer ir "ao fim" do horizonte, à entrada do Paraíso, segure a bússola, pense e a verá se ajustar. E as bússolas indecisas, aquelas ditas incertas, gastas ou desmagnetizadas, seriam para mentes como a minha, que até dado momento, não tinha noção do que desejava.
Esqueça a ideia de que, se você não sabe o que procura, não é a ferramenta que lhe mostrará!
Porque se você sente; Se o coração descobre... Você só precisará observar as linhas e seguir o vento...
... A felicidade o atrairá!

5.9.11



"Não é preciso me iludir para eu ser iludida.
Eu sei criar labirintos sozinha e ainda me perco com dignidade."

Verônica H.

28.8.11

Não Gosto!



Já fez sua lista, certa vez, Adriana Cancanhotto...
Ela não gosta do bom gosto, e eu prefiro nem discutir o assunto; Todos temos direito à opinião, e como nem sempre serão compatíveis com as de outros, geralmente é melhor ser imparcial quando se discute algo; Eu - quase - gosto dos bons modos.

Não gosto de Bom ou Ruim, Feio ou Belo, nem de Certo ou Errado...
Muito menos de Céu e Inferno, exceto o que se lê sobre isso, nas páginas da Divina Comédia.
Não gosto de gente pedante, apesar de muitas vezes já ter sido chamada de pretensiosa, nem sabendo que estava dando isso a entender.
Não gosto de grosserias intencionais.- Sim, acredito que algumas grosserias são feitas "sem querer", e sei que muitas são só  um problema de interpretação por um dos interlocutores. - Mas todas magoam quem as ouve.
Não gosto de falta de respeito, falta de educação, falta de semancol e falta de atitude.
Não gosto de fofocas maldosas. E não confunda fofoca com comentário. Há uma grande diferença!
Não gosto de amizades e relacionamentos por conveniência. Não gosto de falsidade.
Não gosto de previsões do futuro, nem da ideia de haver um destino já escrito.
Não gosto de regras, limitações, proibições e prazos. Me incomoda ser pressionada, ou ver alguém o ser.
Não gosto da falta de paciência com coisas bobas, costumeiras ou naturais, tanto dos outros, quanto minha.
Não gosto de pré-julgamentos, preconceitos, e conclusões precipitadas.
Não gosto nem entendo as comparações pessoais que as pessoas geralmente usam como argumentos vis. Não me interessa a vida dos outros, nem "saber" se posso ser considerada melhor ou pior que qualquer outro ser.
Não gosto de mentiras desnecessárias, de brincadeiras de mau gosto, e de gente que rebaixa os outros.
Não gosto de violência, saudade, ausência e solidão. E não gosto de ter medo.
Não gosto de não ser esperta o bastante, ou "rápida" o suficiente. Eu não gosto da pressa.
Não gosto da falta de solidariedade, compaixão e amor, na minha vida, em mim, e no mundo.      
Não gosto de extremismos, fanatismos e banais idealismos.
Não gosto de ser tão crítica, nem de crítica nenhuma. 
Não gosto de não saber todas as coisas que gostaria, e não gosto de me sentir culpada, as vezes, por saber alguma coisa que outros não sabem.
Não gosto de me preocupar tanto com quem gosto; Não gosto de chorar como choro; Não gosto de ser tão estranha, complicada e controversa.
Não gosto de injustiças. Não gosto de ser ignorada, ou deixada de lado. Não gosto de não ser valorizada mas também não gosto de ser elogiada. 
Não gosto de sentir a necessidade de me superar a cada novo passo. E definitivamente não gosto de fracassar nisso.
Não gosto de acreditar-pensar-supor-considerar, enfim, Achar algo... E ter medo, ou não poder expor a ideia.
Não gosto de promessas, juras e qualquer tipo de comprometimento que possa vir a ser, por nada ou qualquer coisa,  desatado ou descumprido.
Não gosto de não ter a quem devotar minha vida e meu amor. Não gosto de não saber que caminho seguir.
Não gosto de ficar na vontade, e de não ter total controle sobre as coisas que me interessam.
Não gosto de não ser perfeita; De nem ao menos me gostar, mas precisar e querer muito, mudar isso.

Eu não gosto de querer tanto... Sempre.
Eu não gosto de ter tantas respostas certas, para as perguntas erradas...
Não gosto!

5.8.11

O Outro Par de Meias




        No meu quarto, toda noite enquanto os pés dormem, as meias sorrateiramente se soltam e vão ao chão, para conversar e se divertir.
        Aquele par felpudo e colorido de meias, costumava ser feliz... Era companheiro daqueles pés gelados e inquietos, mas fazia sua parte aquecendo-os, antes de aproveitar a vida. Durante certas, e poucas noites permaneciam nas gavetas, e raríssimas vezes, tinham companhia.
E foi isso que acabou com a alegria daquelas meias. As noites em que passavam acompanhadas, eram maravilhosas! Tanto que ao amanhecer eram apanhadas estiradas sonhando ao pé da cama... Essas visitas, tornaram-se constantes e aguardadas, mas já são passado. Agora as noites são tão frias e solitárias quanto os pés aos quais pertencem. Elas já não brincam mais, às vezes nem descem da cama. Ficam lá, enroladas em grossos cobertores.
       Os pés que dormem, também lamentam a partida dos que se foram; Pois as mentes que comandam ambos os pares, são amigas de verdade... Daquelas que fazem os dedos dos pés formigarem de alegria só por estar próximos.
                        Para cada dois pés, duas meias, um par. 

E todas as meias, tão conectadas quanto essas, são complexas, complementativas, aditivas, adversativas, compostas, e completas.
São letradas e letristas; Ligadas por letras, artes, pensamentos, sonhos, gostos, conhecidos, conhecimentos, sorrisos, sentimentos e realidade.
São elas, amigas, desde de um "Oi, bem-vinda!" dado com tanto carisma numa tarde quente. E conservado por manhãs, tardes, noites e madrugadas, cheirando a capuccino e pão de queijo, ao som de boas risadas e confidências.
São de vidas distintas, com, no mínimo, três graus de separação.
Completamente diferentes fisicamente. Relativamente parecidas e combinativas mental e intimamente.
De hábitos, amores, cores, criações e criadores que se encontram e se distanciam...
São meias reais, com vidas imaginadas. Com trilhas sonoras, efeitos visuais, pinceladas de tintas à óleo, trocas de esmaltes e cheiro de incensos.
Mas não são de liquidação. Não são inteiras, não são tão racionais quanto gostariam e sim guiadas por emoções. São flexíveis, não são divisíveis, e ao menor descuido, podem ser desfiadas.
São de um mesmo tempo, mas batem em ritmadas batidas de instrumentos distintos.
Essas, em especial, são meias amáveis, que amam, são amadas; E não foram feitas para ficar só...

Elas estão com saudades... Pediram que lhe dissesse.

21.5.11

{Punto e Basta}


Foi um professor, quem me disse certa vez:
Escreva sobre o que você sabe e conhece.
E comecei a escrever silêncios.
Grandes intervalos entre pensamentos, dizem bem mais que frases perfeitas;
Nunca são vazios, sem sentimentos, ou despidos de significado.


Foi aquele que eu achava ser meu grande amor, que me indagou certa vez:
É assim que você me vê?
E passei a esconder as minhas opiniões.
Pontos de Vista podem ser mal interpretados,
e explicá-los é sempre pior do que não compartilhá-los com ninguém.

Foi uma amiga querida, quem me alertou mais de uma vez:
Você não deixa que cheguemos perto.
E me encolhi, e me fechei cada vez mais em meu casulo.
Uma vez sozinha, em silêncio e sem vida, pensei não estar fazendo mal à ninguém.
E me vi salva.

Foi meu irmão, quem me olhou, mais de uma vez, com uma profundidade desconcertante,
e me abraçou, sem dizer nada.
E aprendi a ser feliz.
Ter a quem amar, incondicionalmente, nos faz dignos de uma vida,
e ser retribuída da mesma forma, é uma dádiva.

Foi meu pai, quem me apoiou, mais uma vez:
Escolhe um caminho que gostas, e segue. Tens talento.
E voltei a sonhar.
Gostar de fazer algo, as vezes não é o suficiente.
Mas com o apoio das pessoas que ama, acredita ser capaz.

Foi um amigo, admirado e admirável, quem me lembrou:
Que ainda posso cantar, dançar, e o que mais desejar. E me impulsionou  à frente.
E pude, de novo, sentir.
Sentir  amor, vontade de ser melhor, de ser mais.

Fui eu, quem precisou bater inúmeras vezes com a cabeça em paredes reais e imaginárias, para perceber que: Eu tenho tudo o que poderia querer.
E resolvi me dar uma chance.
Porque posso ser pior, melhor e diferente de todos os que me cercam...
Mas não posso deixar de ser Alguém.

20.5.11

Bom, se muito, vez em quando!


Você, como eu, já deve muitas vezes ter ouvido dizer que os avós “estragam” os netos. Eu sempre achei que fosse exagero de pais chatos como os meus, afinal, nas minhas férias, durante a infância, me divertia horrores na casa dos velhinhos... Mas o fato é que você é mimado por eles, desde o primeiro minuto da manhã até o escurecer, quando vai para cama; E isso não muda com o passar dos anos. Mas, se lembra daquelas broncas que sua mãe dava nos seus avós por sua causa? Então, essas, descobri que sempre fizeram sentido!
            Moro com meus avós, e acho que se minha mãe estivesse por aqui já teria acabado com as minhas “férias”. Sei que ela veria que eles não me estragaram, porque fui muito bem ensinada, mas saberia que  hoje, eu luto e discuto com eles todos os dias, pelas bobagens que um dia achei que fossem regalias.
            E de acordo com os costumes deles, então:
- Não é preciso escovar os dentes depois de todas as refeições. E também se escovou e quiser comer um pedacinho de chocolate, eles não contam para ninguém!
- Se você não "suar", pode pular o banho do dia. Principalmente em dias mais frios.
- Economize: Não dê a descarga toooda vez que usar o banheiro. Higiene pra quê, né?! E se ficar aquele perfume de banheiro público infestando a casa toda; Quem liga?! Depois de velho não se sente cheiro!
- Você pode deixar a louça "mais ou menos" lavada, desde que não a deixe na pia.
- Você precisa lavar roupas todos os dias, mesmo que sejam só duas peças, e isso seja contra o meio ambiente.  E por falar em meio ambiente... Bobagem é perder tempo separando lixo.
- Em locais públicos e abertos, pode tranquilamente jogar lixo no chão, porque todo mundo faz isso, você só não vê!
- Você precisa manter a casa arrumada, (não exatamente limpa) afinal, alguém pode chegar a qualquer momento, e o que iria pensar de você, se estivesse bagunçado, né?!
- Esqueça o conforto de dormir “livre, leve e solta”... Você pode, (e provavelmente, será) acordado aos berros com alguém bem em frente a sua cama.
- O ideal é dormir com as portas dos quartos abertas, não importando quantas pessoas estejam na casa, nem se você ronca, fala e solta pum a noite inteira.
- A propósito... Não tem porque fechar nenhuma porta, em nenhum momento! Inclusive, também não há necessidade de se ter chave em nenhum cômodo, afinal, direito a privacidade é um erro, e não deve ser impulsionado.
- Você deve ter duas portas em casa. A da frente, sendo só para visitas importantes, ficando terminantemente proibido o seu uso diário por moradores do local.
- Suas refeições devem ser 3 e em horários específicos. Café da manhã as 7h, Almoço as 12h ou antes (nunca depois), e Café da tarde (chamado de Jantar) as 16h. E só! Depois disso a cozinha “fecha”, porque fazer barulho de utensílios mais tarde, vai acabar acordando todo mundo que dorme com as portas abertas!
- Você deverá comer o que a vó faz, mesmo não sendo o mais indicado (quase nunca o é) e, obviamente não importa se você gosta ou não. Atenção: Se teima em não comer, é obrigação sua, ouvir um sermão. E prometa: você nunca vai cozinhar na cozinha da sua vó!
- Entenda: Quando se envelhece, o paladar se vai... Então não reclame da quantidade exorbitante de alho que cobre o sabor de toda e qualquer coisa, nos pratos de todo dia.
- Não importa quantos canais você tenha, as únicas coisas que prestam são as novelas, o futebol, e as missas. E quanto a TV a cabo: chame o tempo inteiro de porcaria sem valor, mas se sair do ar, mostre-se super triste por não ter o que fazer, e ligue para os vizinhos para saber se lá também não está funcionando.
- Não há porque jogar qualquer coisa fora, por mais deteriorada que esteja, é sempre bom guardar... Você pode precisar um dia!
- O computador é a pior coisa que já inventaram. Mesmo que toda semana você peça a sua neta que pegue na internet o resultado da tele sena. Ou o texto de um jornal, sobre o assunto que lhe interessa.
- Você nunca estará pronta para namorar, mas de vez em sempre, será alvo de chacotas por estar só, ou será “cantada” com a clássica novidade: “A Maria lá da rua de baixo já é bisavó! Deve ser uma alegria sem fim!”
- Tenha 10, 20, 30 ou 40 anos, você não deve sair a noite, para não ficar malfalado (principalmente), além do que, você deixará os parentes preocupadíssimos e sem dormir, mesmo depois de responder detalhado interrogatório sobre como, onde, e com quem vai e volta.
- Não importa a profissão que você escolha, não vale de nada a realização pessoal, o que vale é fazer dinheiro. “Logo”... Se não for Direito, não é bom! Fora que assim você poderá passar a vida fazendo concursos!
- Você não é saudável se não dormir às 20h e acordar as 6h30. E como todos sabem, é coisa de doente, gostar de dormir, ou ficar no quarto.
- Ah! Ler, estudar (se não for para direito), dançar, cantar, e ir à academia são perda de tempo... Coisas que não vão te levar a nada. E não se preocupe... Eles repetirão isso todos os dias... Até você gravar a mensagem!
- Almoçar com a família aos domingos, não é o suficiente! Depois disso você deve fazer um passeio por – pelo menos um – supermercado, e ir para casa, pegar um sol ou assistir a um jogo.
- Se a doença não é mortal, você deve estar fazendo manha. Se é mortal, você perde totalmente a voz de escolha; Vai aos médicos que a família conhece ou decide.
- Sua casa não é hotel, Não traga amigos. Sua casa não é pensão – não se pode sair ou entrar quando quiser, você precisa de permissão. (Nunca entendi essas!)
- Suas opiniões nunca valerão de nada, entenda logo e não gaste saliva.
- Não basta você se prestar a limpar a casa. Deve limpar de um certo modo, bizarríssimo, por sinal – que sua avó gosta. Pelo menos uma faxineira de verdade vem fazer "certinho" uma vez por mês!
- Você gosta disso, eles daquilo. Será do jeito deles!
- Seus amigos nunca prestam.
- Você precisa fazer algo mais da vida, senão sua avó passará vergonha diante das amigas ao contar que você é só uma escritora.
- Resumindo: Você deve ser um neto perfeito, mesmo sem ter a menor ideia de como fazer isso. Mas fica a dica: Quer se dar bem com eles?! Nunca vá contra... É fácil... Para tudo, diga amém!
                É, bem que dizem que as mães sempre tem razão... “Se tá frio, leva casaco. E aproveita levar a sombrinha... Tá com cara de chuva!” Já to craque em tudo isso... Já conheço todos os discursos...
Tô é aqui, pensando com os meus botões, se quando eu tiver um filho os avós dele vão estragá-lo. Na verdade, é melhor eu planejar desde cedo as nossas visitas de férias. Acho que dá pra ficar até 3 dias... Três dias... Será que em três dias se bagunça a rotina de uma criança?!   ... Ai... E aquela história de que vó é mãe duas vezes, hein?! Ihh! Vou lá que a vó tá chamando pra pôr a mesa e almoçar... 11h30 (Não disse?!)  

29.4.11

Quem sou Eu... Pra Você?!


       Por todo o tempo em que você permanece sob a mira de olhares, câmeras, espelhos, e consciências, você pode ter certeza, de que será observado, comentado e julgado. O classificarão por estereótipos e dividirão suas ações em boas ou más. Sua aparência deixará sempre a primeira impressão, arrecadando aplausos ou vaias pré- conceituadas. E sua personalidade, se houver possibilidade, talvez mude ou afirme as formadas opiniões.

Sou filha, neta, irmã, enteada, sobrinha, prima, afilhada e amiga.
Sou mãezona, mas não tenho filhos. Sou severa, dizem, com todos e também comigo. 
Em casa sou neta, dorminhoca, e tratada como gente pequena.
Para o pai, nunca o bastante. No meu quarto sou rainha.
Na família, a ovelha “cinza”. Entre amigos a simpática.
Para o irmão, talvez, um exemplo. Para os homens, invisível.
Diante às crianças, semelhante. Para idosos, inexperiente.
Em frente ao espelho, insatisfeita. Pela janela, voyeur.
No diploma, Cineasta.
Na carteira de trabalho, desempregada.
Na Universidade, aluna de Letras. Numa aula sou Pensante.
No recreio, solitária. Na biblioteca, leitora assídua.
Na auto-escola, sou futura motorista. Para a professora, a moça da letra linda.
Na rua sou pedestre. Nos ônibus, passageira.
Na padaria sou 4 doce, 4 trigo e 4 pães de queijo. O que dá quase pra semana inteira.
No café, um Macchiato. No restaurante dos domingos, suco de laranja sem açúcar.
No disk-pizza, metade brócolis, metade alho.
Na churrascaria, vegetariana. Na horta, perdida.
No bar, não bebo. Em casa com uma taça de vinho, me divirto.
Nessa cidade, sou de fora, na minha, sou visitante.
Nos shoppings, consumidora.
Em loja de roupa, 44 e de sapatos 39/40.
Na perfumaria sou Nina, Versace, Spears, J.Lo, Klein e Valentino.
Nos importados, sou Victoria’s Secret e outras muambas.
Nas óticas, sou a astigmata dos aros sérios.
No salão, sou mão, pé e cabelo, não.
Na farmácia, sou alérgica. No hospital, asmática.
No médico, sou paciente. Na terapeuta, problemática.
Na igreja, sou atéia. Nas urnas, a do contra.
Sob o sol, branquela e fotofóbica.
Na academia, fora de forma.
Na moda, sou retrô, Em Arquitetura e decoração, experimental.
Na literatura, aventureira, fictícia, policial, romântica e fantástica.
Na escrita sou sincera. Em conversa às vezes minto.
Na música, sou roqueira. Na dança, sou zoukeira.
No chuveiro, sou cantora. No microfone, tímida.
Na arte sou arteira, No cinema, roteirista.
No teatro, sou clássica. No ballet, solista.
No telefone, aérea. Nas festas antipática.
Nos bailes, dançarina, Nas baladas, alternativa.
Nos cinemas sou público. Em crítica, especialista.
Em computação, sou viciada. Na internet, usuária.
Nos jornais, não sou citada. Em redes sociais, sou bem vista.
No blog sou revoltada, mas tento ser artística.
E nos sonhos... Nos sonhos sou quem sou realmente.

E você? Como se vê?! Quem julga ser?! Como julga ser julgado por quem o vê?!

"Inconscientemente, parecia querer buscar em autores,
filmes e músicas, algum tipo de consolo.
Como se alguém precisasse chegar bem perto do sofá onde estava,
colocar uma das mãos em seu ombro e dizer que aquilo era normal.
Que acontecia também com outras pessoas. E que iria passar..."

Caio Fernando Abreu

25.4.11

Ponto de Virada


         Numa quase clássica segunda-feira, no final (ou no início) de uma noite atipicamente fria, para a estação das flores é que tive um “clique” de vida.
         Em meio à gargalhadas há muito não dadas e em fantástica companhia, redescobri um sentimento de bem estar que só horas depois realmente pude reconhecer e nomear como felicidade. Não qualquer felicidade, mas aquela que te impulsiona ao desconhecido... É isso! Eu finalmente encontrei o meu ponto de virada. Ou, não encontrei, afinal, a esperança de encontrá-lo já estava dispensada, e já não o procurava. Digamos então que, tropecei, neste ponto.
         Tenho consciência de que nos últimos tempos, venho vivendo somente em fugas constantes, porém, momentâneas, por sonhos e devaneios... Mas hoje, hoje não! Hoje eu quero voltar ao meu caminho de tijolos amarelos, e vou começar com o mais importante passo direito, afirmando e assinando a decisão de que quero, novamente, ser feliz. De que vou trabalhar em prol de mim, e que vou cuidar, molhar, adubar e fertilizar a vontade que há pouco refloresceu, de viver. Essa é a minha vez! Apesar de sentir que é tarde para começar uma mudança, vale a pena tentar. Afinal, dizem que no final tudo dá certo, mesmo, né?
         Vai ver eu acordei bem em tempo de escrever Feliz para Sempre... E Fim!

21.4.11

Moderno, Pós-Moderno, Contemporâneo...


Descobri com o passar do tempo, que o mundo não é como se apresenta, nem como o vemos, nem como o imaginamos, ou queremos e muito menos como o pintam... O mundo apenas é! E você pode pensar: “Sério?! E você só viu isso agora?!” “Descobriu sozinha?!” E vou ser obrigada a dizer que: É... Pior que só vi agora!
E o problema “maior” é que descobri que tudo é assim, e todas as pessoas também; Inclusive eu! Mas agora, o mais triste, é me dar conta de que por mais que eu me mostre diferente, as vezes até para cada pessoa, cada local, cada situação, confirmando a tese de que toda pessoa é composta por máscaras sociais, mesmo assim, nunca será o suficiente... Provavelmente para ninguém, nem para mim.
                Tenho características que se sobrepõem à qualquer máscara, e tenho máscaras que já se encontram entranhadas... Eu sou chata! De verdade, eu sou... Sou irônica, todos sabem. Sou melancólica, depressiva e negativa, todo mundo vê, sabe e desaprova cada uma dessas coisas. Eu falo bobagens constantemente. Eu, até sem perceber, falo coisas com duplos e triplos sentidos. Eu deixo pessoas desconfortáveis, inconformadas, insaciadas e sem palavras. Faço piadas de mim... Essas são as máscaras, que em algum momento incorporei, e já não posso viver sem.
Aí, com certas pessoas, você, assim como eu, nota que consegue mostrar tudo que é; você ainda tem sempre presentes as máscaras falhadas, e tem seus defeitos de cara lavada, mas para esses poucos, você apresenta suas qualidades, por menores que sejam, com naturalidade e vontade desconcertantes. E enquanto você se apresenta e interage minimamente sobre coisas em comum, você passa a ser admirado, aceito e, as vezes, até aprovado (porque sim, todos nós queremos de alguma forma ser aprovados). Mas, a partir do ponto em que começa a ter pensamentos próprios, não compatíveis, considerados errados, ou agressivos, ou mundanos, ou que simplesmente não agradem a companhia, você volta a ser julgado; criticado... E tudo que você tinha de bom se evapora num segundo, e fica lá, colada na parede a imagem de suas “partes ruins”, desfiguradas pelas cores e massa, que agora lhe deixam pior ainda.
Concluí que não importa como você se classifica, quem você é, quem tenta ser, quem imagina que seja nem quem gostaria que fosse. E talvez também não importe mesmo o que as outras milhões de pessoas, por quem você torce ser apreciada, dizer ou deixam de dizer... Não; O que realmente importa é que suas opiniões, ideias, vontades, sonhos, qualidades, conhecimentos, sentimentos, e palavras, são suas e só suas; E ninguém se interessa por nada disso... O segredo, não é viver, não é ter amigos, conhecidos, afazeres... O segredo é manter tudo isso em silêncio. É aprender a não falar sobre nada que possa ser tomado como pessoal; Você ainda pode falar sobre política, desde que não tome partido, sobre religião, desde que esconda suas crenças e descrenças. Pode falar sobre atualidades, atrocidades, arte, tecnologia, carros, esportes e pasta de dente. Desde que, superficialmente, como algo de interesse comum comentado em mesa de bar.
E junto com "não dever falar", é recomendado que você também não pense, nem demais, nem de menos, nem o suficiente, para que não tenha opinião própria. E de forma alguma, deve aparentar desgosto por essa situação... Esse é o kit de máscaras mais vendido no mundo todo.
Então fico aqui, cogitando se viver, não é agora, mais do que nunca, simplesmente passar pela vida. Afinal, pensar, cogitar, opinar e compartilhar é incomodativo aos outros; A cada um, só interessa o que é seu, para si, e mais nada... É desconcertante...
É isso?! É tudo isso à que chamamos de Moderno, Pós-Moderno e até de “Plena” Contemporaneidade?!
Pois se for, encho meu baú com minhas máscaras, assumo o muito de Loki que tenho em mim, e volto hoje mesmo a ser Clássica, Antiquada, e Retrô! Quem quiser que venha junto... Ou nos vemos por aí!

"Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe
 do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas."

Martha Medeiros

E eu não Moro mais em Mim...


Eu tenho dançado, coisa que me faz profundamente feliz.
Eu gosto de ler, e já não leio tanto quanto gostaria.
Adoro escrever, mas percebo, não escrevo tão bem quanto deveria.
Eu amo cantar, mas abandonei a música.
Eu adoro pintar, bordar, brincar...
Mas me afastei dessas e de muitas outras coisas que me completavam.
Virei alguém que não se reconhece, que não se identifica, que se esconde, e não vive.
Mas quero ser feliz de novo. Quero alegrias, carinhos...
E já entendi que preciso dar espaço para que essas coisas possam chegar até mim...
Só ainda não descobri como... Mas vou!

20.4.11

Anseios e Conflitos



Eu nunca disse ser mais do que sou. Mas sempre quis... Ser muito melhor.
Eu sempre sonhei em ser amada, desejada, querida e cuidada, mesmo que sempre me afaste de tudo e de todos, antes que haja a menor possibilidade de ser rejeitada.
Sempre deixei claro, que prefiro que ninguém espere nada de mim, assim nunca seria decepcionado. E talvez, ainda me desse a chance de surpreender.
Não me considero das mais inteligentes; e apesar de esperta em alguns assuntos, sou muito pouco em outros. E em questão de agilidade de pensamentos, sou sinceramente lenta.
Sou péssima mentirosa, e apesar de controverso, ótima em adaptações às diferentes máscaras da modernidade.
Não me encaixo em nenhum rótulo, ou será que em todos?!
Não sou o que gostariam, e geralmente nem o que esperam que seja, mas costumo assumir minhas preferências, pensamentos e explorar habilidades, tentando ser eu mesma.
Entendo que todos tem problemas, tristezas, e que, com certeza os meus são mínimos, se comparados aos da humanidade, mas o mundo há de concordar que é com essas adversidades que convivo, e às quais tento sobreviver.
Mesmo assim, ainda acredito em um mundo melhor, em pessoas diferentes e finais felizes.
Mas me avise se isso for imaginar demais...

Não o Bastante... Não para Você.


Ontem me ocorreu algo completamente lógico, mas que até o momento não fazia sentido...
                Eu não sou má, nem tão boa também, e não sou perfeita como você me chama, sempre com ar intolerante... Na verdade sou cheia de defeitos, e tenho noção de que muitos deles posso resolver.
Posso com algum esforço, ter opiniões diferentes, gostar mais da parte técnica da música, mudar meus hábitos de vida, ter o corpo que você, e com certeza, eu mesma, gostaríamos que tivesse... Mas não posso mudar minha personalidade.
                Faz parte de mim pensar muito em coisas que para você parecem pouco; os detalhes, as palavras ditas, não ditas e mal ditas. Não posso mudar sentimentos, porém, talvez possa controlá-los ou simplesmente não trazê-los à tona, mas eles continuarão aqui.
Posso parar de falar em código, mas não de ser ambígua e vaga; É assim que funciono.
Não posso deixar de me preocupar com quem amo, dia e noite, desejar-lhe melhoras e bom sono; E querer o melhor para todos o tempo todo.
Posso não ser tão pessimista, "certinha e complicada", e tentar parar de exigir e esperar sempre o melhor ou o máximo de cada pessoa. Posso contar tudo, em mínimos detalhes, dar explicações, e fazer promessas, mesmo não “gostando”. E não esconder de você nem que te amo, mesmo sabendo que você quer que isso mude...
                Eu poderia fazer milhões de coisas para ser uma pessoa melhor... Posso! (Farei!) Mas isso ainda não seria o suficiente. Infeliz, ou felizmente, nunca vai ser... Eu sei. Nunca serei boa o bastante para você!

Triste é ter a capacidade de sonhar, nesse momento.
Triste é pensar e sentir, todo o tempo.
Triste é saber que, de tudo que eu sou, só posso mudar coisas banais...
E que o banal não muda nada.

3.4.11

Ouço de mais, Escuto de menos.


            Eu convidei aquele que carrega a escritura, organizei o salão e esperei pela cerimônia.
Ouvi todo aquele discurso tocante, real, triste e justo... E engoli a seco.
Dei-me conta de que, o que o momento me fazia sentir, não era exatamente o que deveria, mas não me fez mudar o rumo das gotas que já escorriam pelo rosto.
Tenho consciência de tudo aquilo, (não sou nova no ramo) e pior, como alguns podem achar, não vejo como algo “bonito” ir contra a maré das possibilidades intelectualmente projetadas. Mas isso, também não me impede, por mais que devesse, de largar a pedra à qual tenho me agarrado. Não gosto da tal rocha, mas já criei meu limo, e por pior que esteja, desaprendi a nadar.
O navio liderado pelo sábio e suas palavras vai seguindo, e eu lá de baixo, fico imaginando... E eu?! O que devo fazer primeiro, para poder emergir?!
Porque me vejo, e me veem, afundando cada dia mais, presa por âncoras e passando por bóias que sobem vindas do fundo. Mas são tantas... À qual devo me abraçar?! Qual me levará mais alto, e será veloz o suficiente para que não me falte o ar?!
(Isso não deveria acontecer... Eu não mereço... Não entendo... Mas aceitaria instruções... Daquelas acompanhadas de sinais, mesmo; fáceis de entender e que não se prendessem ao óbvio do necessário. Alguém?! Um empurrãozinho, por favor!)
E lá se foi o dono da razão. Ele é que está certo: vem, fala, e vai viver sua vida.
Mas já diziam dois sábios dos quais não lembro os nomes; que, é fácil discutir quando se conhece o interlocutor e suas mazelas; porque aí, você joga a isca e deixa que saboreie até certo tanto sem puxar, e quando esse se vir guloso, querendo a parte maior, aquela que ficou mais presa, você puxa com agilidade, e devolve as próprias “acusações” com as “defesas” mentais que percebe, o ser já está matutando...
E também que brigas, são sempre melhor travadas, entre pessoas que se amam, porque desta forma, se sabe que por mais que não se ganhe, também não se perderá por mágoas futuras.
Logo, entendo que o orador além de saber o texto, saber que conheço de cor as estrofes, e ter conhecimento das palavras que não serão lembradas sem consulta, também é dotado de compreensão suficiente, para me dizer isso tudo hoje, e muitas mais vezes, sempre com diferentes abordagens, até que eu realmente entenda, solte da pedra e, não só suba, mas também aprenda a flutuar sozinha pelas águas.
Aí eu me levanto, limpo o espaço, tiro o lixo e fecho tudo... E vou para casa descansar, porque vou voltar e fazer tudo de novo... Talvez, amanhã.

25.3.11

Por Saudades...



Eu comecei e recomecei esse texto hoje milhões de vezes, tentando fazê-lo de forma pensante, mas não consigo... Então vou deixar fluir. Tenho muita coisa na cabeça, e páginas não seriam suficientes... Se não entendê-lo, ignore-o.

                Tenho colecionado cartas. Longas cartas escritas à ninguéns e à alguéns... A maioria das quais, admito, foram para você...
Eu queria poder ter estado mais tempo em seu colo, ouvir mais de suas gargalhadas gostosas, e de suas broncas sempre assustadoras. Queria poder ter observado mais vezes, de canto de olho, você passando cuidadosamente batom, em frente ao espelho. Gostaria que tivéssemos brincado mais, conversado mais, passeado mais... Precisava ter tido tempo de contar meus romances platônicos, ter pedido conselhos, ajuda pros trabalhos de faculdade, ter a quem pedir socorro nos momentos difíceis e ter alguém que com certeza, mesmo não aprovando todas as minhas escolhas estaria lá, ao lado, brigando ou vibrando, mas comigo.
Ainda uso suas roupas, leio seus livros, ouço gargalhadas e Erica’s ao vento... Ainda sinto seu perfume. Olho suas fotos e assisto aos vídeos...
Penso todo dia, a todo instante, como seria se você estivesse aqui hoje. Se estivesse ontem... Quantos caminhos teríamos percorrido alegremente, e sei que não só assim, mas que os problemas, por maiores que fossem, também não seriam tão grandes.
Vejo amigas e colegas vivendo e contando coisas que fazem com as mães, e me pego disfarçando aquela lágrima que teima em surgir; por inveja, por vontade de ter você aqui... Quanto egoísmo, eu sei.
                Tenho segredos, mãe... Alguns dos quais você também já teve. Tenho manias, defeitos, trejeitos e doenças que você também teve... Muitos dizem que sou parecida, outros que, tão diferente... Há quem me chame de Jane, há quem nos compare, há quem ame dolorosamente e se levante, dia após dia, desejando que esse tempo sem você seja só um pesadelo. Há quem tenha seguido em frente, há quem tenha se maltratado imensamente. Há quem tenha até acusado sua família por sua ausência. Há quem se lembre de sua alegria, sua força, sua presença, sua elegância e seu cheiro. Há que deseje esquecer, e quem lute para sempre lembrar... Há por quem eu fique triste, que não a tenha conhecido o suficiente.
                E apesar de tudo, estamos aqui, não diria bem, mas de pé... Caminhando sozinhos e acompanhados... Cada um cuidando de si.
                Sou grata por tudo. Por todo o pouco tempo que tivemos juntas. Todo o amor que você me deu, e me deixou dar. Por momentos, lições e demonstrações de carinho.
Por ter tanta coisa que gostaria de dizer, e tanta coisa das quais posso lembrar. Sou grata até, por ter podido me despedir... Daquela forma inconsciente, pra mim... Com “nossa” preciosidade no colo, olhando em seus olhos e dizendo só o que importava...
Eu te amo. Até amanhã...

13.3.11

Proibido Amar


Sentir saudades nunca é bom... Ou será que até é?!
Quando você se afasta de alguma coisa ou/e pessoa que gosta, acaba ganhando e perdendo. Neste caso, as perdas foram maiores, e os ganhos quase nulos...
Um convite ao cinema sempre me conquista e convence a retornar, mas a intensidade dos acontecimentos é capaz de matar! Uma amiga comenta que, na cama não adianta permanecer; depressão não se cura do nada, mas amigos podem ser de grande ajuda... (E você tem vontade de voltar. Mas lá, entre os companheiros de todas as aventuras, está a metade do seu coração, dono de todos os seus pensamentos.) ... Não existe isso de amor assim, sem nunca ter nem beijado uma pessoa; Parte para outra, diz ela. E você concorda, mas sente o inverso por mais um momento; Já que ele foi perfeito, e fez tudo para lhe conquistar, provavelmente sem mesmo querer e nem imaginar. E aí divaga em bom som: Amor? Quem disse que é amor?! - Mas é tudo pura negação...
E a noite vai à frente, todos se encontram, conversam, (hoje já é quase amanhã), lembra dos que não foram e se sente só; Olha para cima e sorri.
O coração bate disparado - o coração “inteiro”- esta noite. Mas foi sonhar demais que pudessem realizar o ritual dos olhares de sempre! Nem o cinema me ajuda, você pensa, mas, tudo bem! Companhia boa é quem lhe faz bem. E se senta com um amigo que adora.
O filme: Black Swan. A poltrona: Errada. As atenções: Divididas.
Duas horas de imagens fantásticas e um roteiro lúdico inebriante, mas você encontra tempo para pensar num diálogo tido com a melhor amiga, tempos atrás... O assunto: Amor.
Ela sabia a resposta, mas perguntou assim mesmo... Você o ama? ...E ouviu o que era óbvio; a negativa, sempre forçada, de uma romântica medrosa.
O filme toma sua atenção. Você está anestesiada, triste, feliz, e amedrontada. A cena lhe leva às lágrimas, e você aproveita para desabar, afinal está escuro, e ninguém vai perceber.
Nos afastamos, conclui. E de repente, você não sabe o que fazer. Continuar fugindo? Se reaproximar? E lê as legendas. Toma sustos e se identifica com a personagem... Quando “volta”, o filme acaba. O que a cineasta achou?! Ah, a cineasta está sem palavras...
Despedidas, parabéns; A saudade já teima em prematuramente aparecer. E aquele abraço... (Ah, aquele abraço! Ficaria ali para sempre, naqueles braços que me fazem tão feliz e segura... E aquele cheiro... Gosto tanto daquele cheiro. Cheiro daquela pele, daquele cabelo e daquele perfume)... Então você se afasta, desejando se aninhar. E se segura para não contar ali mesmo, em ótimo tom, o quanto lhe faz falta aquele abraço e mais ainda aquele cheiro! Conversam, finalmente se olham. (Adoro aqueles olhos que me olham como se me traduzissem).
A hora do adeus; A volta para casa; O banho da meditação; Aquela olhadela nas redes sociais... A vida continua a mesma. E você continua você, e eu continuo eu, e NÓS, ainda é uma simples “ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer”. A televisão é ligada, e a programação acessada. E lá está: a realidade da sua vida. Proibido Amar – próxima atração da HBO...


(Eu pensei muito se deveria postar esse texto, e acho que já é hora de fazer algo para “sair da cama”. Não, parar de sonhar, mas me livrar desse estado de amor platônico que me corrói... Porque eu entendi: Você é o que se chama de Desperdício... Perfeito até em suas imperfeições! E agora você já sabe!)